Quando foi a última vez que você se entregou a si mesma? Quando foi a última vez que se encontrou? Por que é tão fácil entregar as partes mais lindas que nos formam a um estranho qualquer, ao passo em que deveríamos nos entregar um tanto quanto aos nossos segredos, possíveis outros universos que habitam em nós? Não há uma receita para salvar um coração da dor, tampouco uma fórmula milagrosa para evitar as decepções, somente existe essa capacidade em superarmos as dores, mesmo jamais as esquecendo. Um coração mesmo mergulhado em um mar de sofrimento é capaz de continuar a bater. Bata… Faça seu coração nadar, não apenas para salvá-lo, mas para salvar a si mesma.
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração. "
Rabindranath Tagore
quarta-feira, 21 de março de 2012
(...)E muito tempo se passou e durante instantes eu estive mais vaga que as horas todas. E cuidei dos vazios, e busquei os vazios inteiros, mergulhei fundo nos abismos, e achei que estar lá no fundo das coisas é tão bom quanto respirar na superfície. E das pessoas eu vi as sombras para proferir a luz, que é do mesmo tamanho. E das carícias eu recebi apenas as que tinham calor, pois este penetra a pele do poema que é a palavra.
E hoje, até posso olhar para trás, pois não sei andar de costas. Mas o passado, já dizia aquela música que escutei repetidas vezes, é uma roupa que não me serve mais.
E hoje, até posso olhar para trás, pois não sei andar de costas. Mas o passado, já dizia aquela música que escutei repetidas vezes, é uma roupa que não me serve mais.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena!
De alguma forma eu sabia que seria amor. Eu não sei, mas acho que a gente olha e pensa: “Quero pra mim”. Mas dá um frio na barriga, um tremor, um medo de depender de alguém, de sofrer, de escolher errado, de lutar por algo que não vale a pena. Porque o coração nem sempre é mocinho. Foi por isso que corri, tentei fugir, mas quando tem que ser, não adianta, será.
terça-feira, 20 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
A gente demora pra aceitar, arruma novecentas desculpas para a falta de jeito do outro. Ah, ele é confuso. Ah, ele está tenso. Ah, ele tem medo. Ah, ele é maluco. Ah, ele isso. Ah, ele aquilo. Desculpa, mas quem quer estar junto pensa ah, que saudade.
Ah, que falta ela me faz. Quem gosta, gosta. Sem complicações. Sem armações e armaduras.
terça-feira, 13 de março de 2012
Talvez o medo te deixe insegura,
Talvez o desejo te deixe louca,
Talvez um arrepio irá surgir ao te ver,
Talvez um calor, um frio, um beijo…
Sobre o arrepio
O arrepio é quando,
por serem tão leves,
seus dedos conseguem,
em cada um dos meus poros:
soerguer uma flor.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Que a noite me abrace e me dê o colo que preciso para me desvencilhar do dia que esboçou algum aborrecimento.
Felizmente, minhas emoções estão mais precisas, posso ver com mais clareza e, ao identificá-las, posso extirpar o barulho mental, os ruídos internos e perdoar quem tentou chamar minha atenção de maneira nociva e infantil. É preciso entender que cada um se manifesta de maneira diferente diante daquilo que sente e que podemos nos posicionar e aceitar sem compreender, mas nos blindar de qualquer coisa que diminua nossa vibração energética ou atinja a nossa espiritualidade. Aceito estar vulnerável para o amor, para a entrega ao desconhecido, para o mergulho no pré-sentimento bom...Mas não admito que o Outro tenha poder para me ferir, pois conheço minha força e o meu poder de superação. E, no meu cotidiano, toda a minha ocupação está na minha vontade de ser melhor, estar feliz e poder estender a mão quando tiver algo para oferecer. Interessante seria se as pessoas que sofrem por quaisquer motivos, procurassem ajuda ou praticassem gestos de generosidade...Quem acha que o Universo reside no próprio umbigo, não enxerga o horizonte que existe a ser explorado dentro e fora de si.
Amar os outros é a única salvação individual que conheço:
ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
domingo, 11 de março de 2012
De tardezinha essa menina se namora
Se enfeita se decora, sabe tudo, não faz mal.
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural.
Essa Mulher - Elis Regina
sábado, 10 de março de 2012
(...)Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante, só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença, um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha que já se sabia tão dolorosa. É um sacrifício voluntário por algo mais pleno, mais grandioso em Beleza. E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão. E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas…
Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão:
"Deus, obrigada, porque é noite e eu tenho o sono… Que venha um sonho novo, então".
Ou, neste caso:
"Deus, obrigada porque é dia e eu tenho disposição! Que seja um dia produtivo, leve, doce e lírico então!"
Bom Dia...
Pra Mim e Para você!
sexta-feira, 9 de março de 2012
Incontáveis são os eus que nos habitam.
Diferentes os meus dos teus,
mesmo não os podendo comparar,
porque, tal como tu, por dentro não me vejo.
Vejo-te quando te imagino ou sinto,
mas desconheço qual de mim te vê.
Não sei qual de ti me imagina e sente,
nem sei qual de mim tu vês.
Se eu chamar de alma
àquilo que em nós imagina e sente,
as almas que temos são muitas.
Tantas almas quantos os eus,
que lutam entre si continuamente
para monopolizarem o imaginar e o sentir.
Quando nos tocarmos, vamos contar
quantas das nossas almas se beijam
e, só então, saberemos se é
com amor que os nossos eus se entrelaçam.
Nilson Barcelli
quinta-feira, 8 de março de 2012
Onde eu estava, Eu tinha asas que não conseguiam voar
Onde eu estava, Eu tinha lágrimas que não podiam chorar
Minhas emoções, Congeladas num lago congelado
Eu não conseguia senti-las, Até que o gelo começou a se quebrar
Eu não tenho poder sobre isso, Você sabe que eu estou com medo
As paredes que construí estão caindo em pedaços, A água está se movendo,
Estou sendo levado para longe!
Tears Of The Dragon - Bruce Dickinson
Alguém me disse que você ainda me ama. E que nunca me amou.
E que tem outras. E que não tem ninguém.
Outro alguém me disse que sou perfeita pra você. E que não temos nada a ver.
E que tudo pra nós dá certo. E que tudo entre nós dá errado.
E outro alguém me disse que você tem medo. E que não tem vontade.
E que tem certeza. E que não sabe.
E ainda mais um alguém me disse que você só ama o que convém. E que você não ama ninguém.
E que só quer me usar. E que não consegue viver sem mim.
Disseram-me um monte de coisas. Tantas coisas que eu já não sei.
Só sei que é muito difícil conciliar o que todos esses "alguéns" que eu sou me dizem.
Parabéns para você, que, linda, lida com explosões hormonais uma vez ao mês. Que sente tudo inchar. Que chora por besteira. Que valoriza bobagens. Que acredita em filmes de amor. Que faz coleção de esmaltes. Que ama sapatos, bolsas e cacarecos para colocar no cabelo. Que compra só porque tava em liquidação. Que sempre precisa de alguma coisa. Que acha o amor a coisa mais bonita – e importante desse mundo. Que sabe como é fundamental olhar para si mesma – ainda que de vez em quando se perca e se preocupe em demasia com o “querer” do outro. Parabéns para você, que dia a dia aprende mais sobre você mesma. Que erra para aprender. Que é forte o suficiente para seguir em frente – sem lamúrias, mas com maturidade e sensatez. Que de vez em quando esquece a própria idade e o juízo em algum canto. E depois acha, como mágica. Parabéns para você, que tem um sonho. Que não desiste, apesar do que falam. Que não se abala, apesar do medo. Que sente uma fraqueza interna, mas caminha com passos firmes. Que fica tonta, mas não desmaia. Que apesar de cada pedra no caminho, corre. Que reclama dos problemas, mas entende que a vida é feita deles. Que tenta entender o defeito alheio – e procura perceber os seus.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar o nosso poder de sedução para encontrar the big one, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá prá ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso, temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar loura e cafetina, ou sei lá.
Eu acho que ser mulher é a coisa mais bacana que existe. Nós somos complexas. Levemente malucas. Fofas.
Temos obsessões por coisas que só nós entendemos. Morremos de frio quando a temperatura desce míseros graus.
E viramos onça, quando preciso. Somos, na verdade, seres completamente hormonais e emocionais.
Nós inventamos a doçura (sabia?). E gostamos de criar (e recriar) por natureza.
Temos obsessões por coisas que só nós entendemos. Morremos de frio quando a temperatura desce míseros graus.
E viramos onça, quando preciso. Somos, na verdade, seres completamente hormonais e emocionais.
Nós inventamos a doçura (sabia?). E gostamos de criar (e recriar) por natureza.
terça-feira, 6 de março de 2012
Parecendo que o dia principiava uma ponta de nostalgia, mas já era um outro alguém chegando.
A voz não tava clara, pressentimentos são confusos como violão que desconhece a melodia.
Era como se precisasse elaborar antes de tudo, o sentimento que ela ia trazer, aquela voz.
Então, ela determinou com a convicção de alguém que quer parar de beber, de sofrer, de fumar, de comer carne ou de qualquer coisa que incomode de algum jeito, que seria apenas saudável e recíproco.
Tava cansada dos olhos afogados na ausência de um perfume ou de uma espécie de lirismo estúpido, como sempre.
(Percebeu o final do sufoco na mudança do foco).
O que o dia queria dela, trazendo as cores do olhar do passado?
Não queria mais aquilo.
Tava cansada.
Ficou lembrando cenas que nem quis contar porque deu raiva.
Que se assim o fim, melhor que assim o fosse.
Mas sabia mesmo é que o verde que viria, reflorestaria aqueles olhos de imensas esperanças.
Achou boa a sensação que a imagem trouxe e guardou num gesto: fez um movimento de mãos no ar e trouxe pro peito.
Sorriu e calou. (E os olhos permeados do mistério bom).
Subitamente, a sensação de chegada de um outro alguém já era presença.
Foi custoso pra ela entender o que uma pessoa podia trazer de novidade e poesia
só por sorrir daquele jeito de quem se entrega à risada.
Tinha bonitezas demais naquele interesse dele: arregalava o corpo pra ouvir a frase que ela dizia,
sem precisar escolher o tema_ era só elogiar o céu ou o mar, ou a cor dos dois.
(E, na soberania dessa simplicidade, a coisa toda se deu.)
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem. Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto? A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa. Ser feliz por nada talvez seja isso.
...Investir no sossego do próprio coração é coisa que não vem com a idade, mas com a ideia de que se pode vivenciar um momento de paz e repouso, é desocupar o peito para abrir espaço para o novo, é entregar-se ao desconhecido com inocência e totalidade, é não ter medo de pronunciar verdades, é ser honesto consigo, com o outro.
Investe no sossego do próprio coração quem não se contenta com pouco.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena
Mesmo que doa. Dói só no começo.
domingo, 4 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
Hoje me dei conta de que as pessoas vivem a esperar por algo e quando surge uma oportunidade se dizem confusas e despreparadas.
Sentem que não merecem. Que o tempo certo ainda não chegou e a vida passa. E os momentos se acumulam como papéis sobre uma mesa. Estamos nos preparando para qualquer coisa. Mas ainda não aprendemos a viver. A arriscar por aquilo que queremos, a sentir aquilo que sonhamos, e assim adiamos nossas vidas por tempo indeterminado até que a vida se encarregue de decidir por nós mesmos e percebemos o quanto perdemos e o tanto que poderíamos ter evitado. Como somos tolos em nossos pensamentos limitados, em nossas emoções contidas, em nossas ações determinadas. O ser humano se prende em si mesmo. Por medo e desconfiança vive como coisa num mundo de coisas. O tempo esperado é o agora. Sua consciência lhe direciona. Seus sentidos lhe alertam. E suas emoções não mais são desprezadas. Antes que tudo acabe. É preciso fazer iniciar.
Mesmo com dor e sofrimento. Antes arriscar do que apenas sonhar.
_/\_
Mas o que é a vida além de um amontoado de acontecimentos tristes, felizes e de interpretações dos mesmos? E cada dia esta página em branco pra gente escrever o que quiser dentro. Eu faço careta para o desamor e para tudo o que me amarre, estagne, amedronte...Eu abro minhas asas para abraçar o horizonte. Eu pronuncio colo, cuidados, aconchego. Eu não me descrevo, mas reescrevo.Se não há sol eu o invento, eu vivo livre, leve e solta no vento. Eu busco na vida aprendizado e estou disponível para brincar, amar e trocar coisas que acrescentem a mim e a quem estiver ao meu lado...Um brinde à existência...
Selinhos
Blog Doce Menina da Valéria
Do Blog Histórias da Leyde
Agradeço as duas pelo carinho.
E peço desculpas pela demora em postar.
Beijo enorme.
quinta-feira, 1 de março de 2012
- Você andou na grama?
- Andei. Logo após a areia branca da baía, havia uma grama alta. E mais adiante, um rio.
- E você viu então uma cobra deslizando entre juncos, na beira do rio?
- Sim, uma cobra verde. Dessas que não fazem mal a ninguém.
- Você a matou?
- Não mato o que não ameaça. Nem o que vive. Eu apenas passei.
O Marinheiro - Triângulo da Águas
Quando me encontrei comigo, eu estava de passagem. Gostei tanto de quem conheci que resolvi andar junto, lado a lado, dentro.
Eu introjetei em mim aquela pessoa que, finalmente, não estava mais vivendo levianamente, mas participando verdadeiramente da realidade. Foi estando muito lúcida que pude me embriagar de arte e deixar minha imaginação inventar os caminhos que ela trilharia. Conheci paisagens, às vezes, muito familiares, mas o meu olhar era inédito. Não sou mais imediatista quando me faço companhia, pois essa nova pessoa respeita o seu próprio tempo.Por isso, também é preciso evitar alguns lugares, pessoas, antigos hábitos e pensamentos. O passado só me cabe para servir como base para o que tenho me tornado. Cada dia eu amanheço numa página em branco e vou dormir numa outra cheia de coisas que escrevi e vivenciei. A única garantia é que nem sempre encontro o que procuro, mas sempre busco o estado e o lugar mais confortáveis para mim. Eu mereço experienciar esta fascinação pela vida e a liberdade de ser exuberante e transformar o chão em céu, o mar em útero, meu corpo em Templo. Respeito os que vivem de outro modo, porque meu caminho não é o certo nem o único, é o que eu escolhi para mim quando lancei mão do meu livre arbítrio.
E nasci apaixonada pelo amor, mas só agora, me fazendo companhia, é que ele deixou de ser uma palavra para se tornar uma experiência.
Sou muito grata por estar na esquina aonde eu estava passando e por ter me dado a mão...
Caminhamos juntas: eu comigo mesma!
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