"No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração. "

Rabindranath Tagore








quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

NÃO, TU NÃO TE TORNAS RESPONSÁVEL POR EXPECTATIVA ALHEIA NENHUMA!



Escreve aí em teu caderno. “Eu sou livre!”. Só para lembrar. Tu bem sabes, mas não custa repetir. Amar não é ter posse sobre ninguém. Quando te sentires escravizar, manda às favas! Assim, simples, direto e com toda a força. Fecha teus olhos, respira fundo e manda embora todo aquele, aquela e aquilo que te faz mal. Não carece verbalizar, repetir, soletrar em voz alta, gritar e essas coisas tão deliciosas. Diga a ti mesmo, esculhamba o opressor aí dentro primeiro. Aperta o botão vermelho, dá de ombros, dá as costas e vai em frente para longe dessa lama doentia.

Por que carregar esse peso, hein? Para onde? Vai valer de quê? A vida é uma viagem e a mala dos outros não te cabe. Despacha. Expulsa. Demite. Tu és livre, criatura! A maior concentração de idiotas por metro quadrado do mundo está aí mesmo, ao teu redor. Repara. Observa. Tem sempre um cretino por perto, cada vez mais próximo, exalando sua incrível capacidade de invadir o espaço alheio e um hálito estranho a tuas entranhas. Se vacilas, descuida, cochila e permite sem querer uma só aproximação, logo ele terá cravado os caninos em teu pescoço. Estará pendurado em ti, no pleno e livre exercício de seu parasitismo.

Rejeita. Escapa da areia movediça das relações doentias. Percebe o quanto tu, criatura divina que um dia foi amada com honestidade sob a forma de um bebê inocente, frágil, corre agora o risco de ter a vitalidade sugada por um espírito miserável, patológico e paranoico, povoado de expectativas unilaterais. Não te obrigues a agradar quem quer que seja antes de te contentares. Não te encantes com ninguém antes que um amor louco por ti mesmo fortaleça tua alma e dê sentido a cada santo dia.

Acredita. Tu haverás de amar honestamente só aqueles que mereçam o privilégio. Teus amigos, tua família, tua gente e olhe lá. Esses estarão contentes com o quinhão de amor e dedicação que tu lhes der, seja qual for o tamanho disso. Ao resto, tu deves nada, nada! Quanto àqueles que não entenderem, que se danem! Danem-se com todas as letras e ferros. Porque a nós nada está garantido mesmo senão a danação absoluta. E se te permitires afagar o ego de outro antes de mais nada, está escrito que também irás te danar mais cedo!

Manda longe aqueles que te “amam” sob a condição de que faças exatamente o que de ti esperam. Porque se ousares fazer diferente, se te atreveres a seguir tua própria vontade, sem nada conceder ao capricho alheio, rapidamente te odiarão com a mesma fúria com que hoje te adoram.

Desiste. Desiste de agradar a Deus e todo mundo. Afaga antes a ti mesmo e, se Deus quiser, o mundo todo será teu. Então poderás escolher o que queiras dele e a ele devolver o que puderes.

Cuidado com quem te cobra coerência, perfeição e generosidade. Atenção a quem te julga egoísta por valorizares a vida que te foi dada. Geralmente, é um cínico despejando em ti os defeitos que não suporta saber em si mesmo.

Olho vivo na turma do olho gordo, tão boazinha e viciada em sentir pena dos outros para disfarçar e esquecer sua própria miséria.

Evita, evita descaradamente os santinhos e sanguessugas dissimulados, entregues a sua corrida de lesmas. Tu não precisas provar nada a ninguém, não deves nada além das contas que pagas a tão duras penas, nada senão respeito a toda e qualquer criatura honesta que viva sua própria vida e não atrapalhe a dos outros.

Corre. Corre o mais rápido que puderes das malditas expectativas, as suas e as alheias. Expectativas são bichos não domesticáveis, aranhas peludas de mil pernas, escravizando suas vítimas em teias de preconceito para devorá-las no mingau gelado da frustração. Melhor é criar filhos, cachorros, gatos e lembranças.

E sobretudo perdoa. Aprende a perdoar quem te ataca em tua mais óbvia fraqueza: tu és nada além de um ser humano cheio de falhas que ora carece de companhia, ora anseia por solidão. Mas não te esquece: perdoa, sai de perto e segue em frente. Porque o perdão é a tua liberdade com outro nome.

Reconhece então tua fraqueza e cai no sono sem culpa. Quando acordares, serás ainda a mesma criatura imperfeita de sempre, mas terás mais força que nunca para seguir correndo. Em frente, atrás, de lado, não importa. Só o que ainda vale de tudo isso é o puro e simples movimento. Dispensa o peso. Manda embora. Liberta-te. Levanta e voa!

André J. Gomes


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Por Faah Bastos -Trecho do livro Indomável



Ando tropeçando em minhas botas batidas, sujas da lama que tenho chutado toda vez que chove em minha terra. Tenho perdido um pouco de mim a cada segundo que me perco pensando em como a vida é efêmera, mas continuo aqui parada, sem fazer revolução dentro de mim. Tenho me cansado mais das poesias, afastado a boa música e escondido as cartas de amor. Manter-me fria, insólita, tem me auxiliado a cumprir minha rotina sem surpresas, sem pensamentos tolos que me façam ter a certeza que seria melhor se fosse com você. Meus pés não cabem mais nos sapatos velhos que serviam como proteção nas jornadas cumpridas que ousávamos fazer; não uso mais aquele vestido que você tanto gostava, porque aquilo não era eu. Cansei, por fim, de tentar ser a melhor parte da sua vida, de mudar constantemente apenas para lhe agradar, ser o que você tanto precisava, mas, meu bem, você queria tão pouco, que me reduzia a ser quase nada. Não mais usarei as cores que não me definem, se meu preto e cinza não lhe agradam, suas cores vivas não me satisfazem – sejamos, no mínimo, francos quanto a isso. Eu passei tempo demais tentando ser o que não era, sofrendo mutação dos meus sonhos, segredos e até desejos, para me tornar a perfeita parte que se encaixaria em sua vida. gritando, você sempre me olhava, mas nunca me via; não enxergava quem eu realmente sou, somente se perdia nas curvas similares a qualquer garota, e não encontrava a minha alma  solenemente que eu estava ali por você, me transformando.
Afastei-me do meu mundo, isolei-me em segredo, e achei que suportaria esse teatro, ser tão parecida com todas, mas diferente para você. Eu não sentia mais o vento afagar meu rosto, tudo era violento, petrificante, sem sentido. Buscar carinhos de mãos que não me encontravam, não sabiam me tocar. Eu era falha, não vou discordar, mas eu estava viva – pelo menos em partes. Eu me perdia, meu bem, tentando me transformar. Esqueci a minha essência em um diário rabiscado, que usava para dissecar meu amor por você. Mas perdoe-me se não consigo mais suportar duas de mim ocupando o mesmo corpo, dividindo vida, ar e coração. Cansei-me dessa história que deveria ser de nós dois, porém resumia-me apenas em ser quem não sou e jamais serei. Sinto muito por não ser a parte que lhe trará aconchego, que cuidará dos seus medos, ou dirá que tudo ficará bem. Prefiro perder você, mais uma vez, a me perder. Espero que entenda que amor é para se encontrar, não se perder. Eu deveria ter me achado em você, não me perdido para lhe encontrar.Suas migalhas isoladas de amor, não me satisfazem mais.   


Coleciono fracassos ...






"Coleciono fracassos, alguns inesperados, outros previstos. Adormecemos com a culpa de sermos tão ingênuos e com questionamentos do tipo: "como eu não previ isso?" - torturamos a a nós mesmos com muitas perguntas, e talvez (e só dessa vez) tenhamos mais respostas do que as interrogações insistem. O precioso é isso na maturidade: admitir as culpas, mas não deixar que elas se apoderem sobre nós. Começamos a perceber o quanto todos os erros e falhas foram nos lapidando para que silenciosamente a brutalidade em nós fosse esmorecendo. 

Há algo maravilhoso em transformar desertos em fontes, porque sem perceber, podemos dar água antes que se instaure a sede - se é que me entendem. Esse vazio em nós, acumulado pela auto-punição de não estamos sendo perfeitos, é um bom presságio: um pouco de futuro nos mostra a importância do passado."


Cáh Morandi




quinta-feira, 2 de outubro de 2014



- Sabes?! Já tens tanto de mim em ti, que não é por ti, que espero.
- É de mim, que estou à espera.

__ Luís Santos __






Eu machuquei a mim mesmo hoje
Para ver se ainda sinto







quarta-feira, 24 de setembro de 2014






"Apaga-me os olhos: e ainda posso te ver,
fecha meus ouvidos: e ainda posso te ouvir,
e mesmo sem pés posso ir a ti,
e mesmo sem boca posso te invocar.
Arranca-me os braços, e eu te prendo 
com o coração como com a mão,
Dilacera-me o coração, e o cérebro palpitará
e mesmo se fazes do meu cérebro fogo
Eu te levarei em meu no sangue".



Ranier Maria Rilke para Lou Andréas Salomé


segunda-feira, 22 de setembro de 2014





o que a gente quer é uma premonição, uma certeza,
alguma frase cheia de sabedoria que norteie nossa vida.
(...)
E eu não sei a coisa mais bonita que eu poderia te escrever....
Sei que já vi borboletas voarem faltando um pedaço da asa 
e rosas incríveis desabrocharem num copo com água: 
e é disso que me nutro pra acreditar que a meteorologia nem sempre está certa,
e que dias tão cinzentos podem ser prefácios de noites com sol.
(...)
eu espero ,sinceramente, que o pedacinho que falta na tua asa, 
não te impeça o voo...



Marla de Queiroz



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Estou de volta ...




Eu achava que haviam tirado o melhor que havia em mim.
Achei que aquela parte boa e bonita havia se acabado e que jamais voltaria.

Tolice!

Mal eu sabia que o que havia morrido era apenas o que me fazia mal. Foi assim que eu descobri que ao ir embora de alguns lugares e pessoas eu estava recomeçando... E assim, sendo novamente EU.

Kelly Gomes






Eu vou insistir,
se eu encontrar um único motivo
para isso,
eu vou insistir.

Se meu coração
vibrar por um momento,
se você me causar arrepios,
ou disser
algo diferente do comum,
eu vou insistir.

Se você conseguir
fazer as palavras
me atravessarem
como um arpão,
eu vou insistir.

Mas caso eu desista

não foi por
falta de tentativa,
só desisto
por falta de alternativa.
E quando desisto
não há nada
que me faça olhar para trás.


Sean Wilhelm





"Tudo que eu sei devo ao que vivi. Não consigo imaginar outro meio de enxergar as coisas sem minhas vivências, sem sentir na pele. A teoria é uma boa base, mas sem a prática fica difícil interiorizar qualquer coisa que seja.

Acho que todo mundo precisa de uma dose de realidade pra descobrir quem é. E quanto mais doses, mais a gente percebe que pode ser um "punhado" de gente. Gente que sabe se reinventar quando preciso. 

A vida é dinâmica demais, não permite comportamentos estáticos. Precisa de pessoas que se deem o direito de recomeçar, de experimentar. Ver as experiências do outro é certamente uma forma de aprender, mas eu só acredito sendo."

Fernanda Gaona







Deus,
Peço-te:
Interpreta-me.

Não leia apenas as minhas palavras;
Elas são poucas,
Frágeis,
Quebradiças.

Cá, dentro, tem um mundo:
(Quase sempre)
Inabitado.
(Quase sempre)
Incompreensível.

Sei que habitas no secreto,
Nos dias em que não há;
Nos cantos intocáveis,
Nos acontecimentos invisíveis.

Por favor, peço-te:
Cubra-me!

Cubra me,
Com o teu silencioso cuidado.
E eu me abrigarei na confiança,
De que sempre estarás comigo.

Poesia: Luciana Leitão









“Eu não preciso chorar para mostrar que estou triste. Nem gritar para dizer que sinto dor. Muito menos sorrir para Deus e o mundo para provar que sou feliz. Não preciso aparentar para ser, demonstrar para estar. Meu mundo acontece aqui dentro. E ele não é menor ou maior que o seu: é simplesmente o meu. Ele é meu com todas as letras, ele é meu em cada palavra, com todos os silêncios, com todos os incêndios. Eu ouvi meu choro, eu escutei meu grito, eu senti minha dor e eu gargalhei em paz sem precisar invadir o seu mundo com coisas tão minhas, com coisas tão lindas, com coisas tão findas que se repetem infinitamente: aqui dentro.”

— Eu me chamo Antônio





" Me disseram que esquecer alguém era como parar de fumar, a abstinência se ia com o passar do tempo. Me disseram que seria difícil no começo, mas eu ficaria feliz por conseguir superar. Sempre fui fraco para dizer adeus, não me permito estudar as soluções quando me sinto realmente frustrado. Tem sido difícil entender, transgride o desejo de dar um fim, por mais que motivos não faltem, a ideia dos abraços não dados me agridem mais do que a fumaça. O orgulho também é um câncer. É algo que vai além de simples explicações, e trazem uma tonelada de porquês. Você irá me dizer que o ato de não querer já basta, porque nunca sentiu a saudade queimando seu peito até que reste apenas um vazio irretratável, como um eixo que te arrasta com força por memórias que deveriam ter sido esquecidas. Sempre fui burro o bastante para voltar aos vícios de sempre. Todas as vezes que tentei me afastar, me via indiferente. Odiava a ideia de estar tentando provar algo à mim mesmo. Talvez esquecer seja questão de hábito, nos acostumamos com rotinas medíocres, e pessoas que já não nos surpreendem. É algo do ser humano se degradar com o tempo. Dificilmente iremos encontrar alguém que se torne melhor com o passar dos dias. As pessoas apodrecem dentro de si mesmas. Mas, por algum motivo, por mais que sejam pedras no caminho, sabemos que irá doer se as chutarmos pra longe. Buscamos um grão de esperança no inferno. A gente precisa dos obstáculos para ganhar uma melhor percepção. Me disseram que esquecer era como parar de fumar, nunca consegui largar o cigarro, mas deixar as pessoas partirem já me matou mais vezes do que qualquer droga faria."

Sean Wilhelm




sexta-feira, 27 de junho de 2014



"Dessa vez vai ser mais fácil organizar os móveis, arrumar a casa.
Dessa vez não ficou marca, não ficou cheiro.
Só essa dura sensação de que deixei você passar por tempo demais por aqui".

Maria Clara de Claro Lira





quinta-feira, 26 de junho de 2014







Eu já o deixe ir quando na verdade eu queria que ele ficasse, aliás, eu pedi que fosse. Chorei todas as dores, todos os amores e angústias e cheguei a pensar que não ia passar, mas passou.


Eu já tentei posar de perfeita, mas deu tudo errado e consegui me recompor. Andei por caminhos que eu sabia onde daria, mas percebi que estava na trilha errada.


Procurei mil motivos para ser feliz e os motivos eram tão repentinos que passavam. Eu também tropecei, senti raiva, despedi a razão, contratei alguns sonhos e tentei por bem ou por força realizá-los. Alguns aconteceram e outros foram sonhos feitos de vento. Mesmo assim continuei de pé.


Eu julguei que era amor, mas o sentimento transformou-se em confuso e passageiro. Doeu e eu imaginei que não ia sarar, mas virou lembranças.Falei antes da hora, julguei erradamente, calei por birra, teimei e quebrei a cara, cai, mas levantei , continuei torta e inteira.


Mudei de ideia pensando ser melhor, mudei de hábito para conseguir algumas coisas. Reescrevi planos. Desfiz contratos para dar mais certo. Deu trabalho, mas fiz tudo isso, querendo escolhas melhores. E não eram. Paguei um preço caro por isso que não valeu o sacrifício. Reclamei, esperneei e finalmente entendi.


Flertei com a esperança e pratiquei a fé, esperando mover todas as montanhas do meu caminho. Superei apenas algumas pedras e fui obrigada a pegar alguns atalhos para desviar das restantes. Não era o bem o que eu espera, mas tudo bem.


Corri atrás da felicidade quando parecia que ela era atleta e sempre estava à minha frente. Fiquei aborrecida, mas não me abstive de tentar, mesmo sem grandes expectativas.
Amei com toda minha verdade e de verdade. Achei que era pra valer. Que era pra sempre. Que ia durar uma vida. Não durou o suficiente para me saciar.


Insisti. Ofereci. Esperei e nada aconteceu. Fui romântica excessivamente. Imperdoável. Inconsolável, sai de fininho. Inconformada, tive que guardar a história. Salvei-me e sobrevivi para contar.


Mesmo assim a vida consignou-me as intermináveis tentativas. Passei a viver do ainda faço, ainda tento, ainda consigo. E com todos eles, vivo uma história fenomenal, com a absoluta certeza de que não há nada errado comigo. Sou apenas imperfeita na tentativa de acertar. Com isso, eu só tenho medo de não ter tempo para cometer todas as outras loucuras que desejo.


Ita Portugal 


sexta-feira, 20 de junho de 2014




"Eu não sei quando, mas sei que um dia, as pessoas amargas ficarão doentes, e elas precisarão da doçura de outras para se curar. Porque eu não conheço ninguém que tenha aprendido uma grande lição pelo amor. Todas elas adoeceram antes de entender que você deve dar o seu melhor, para receber de volta o mesmo."

Camila Heloise







"Hoje eu vejo que minha vida tava parada, focada num assunto que era como um nó, não atava nem desatava... me livrei! E o peso nas costas sumiu, o bom humor começa a voltar, a vontade de viver, escrever também... Obrigada a você que nem arrumou as malas e saiu da minha vida. Sinto muito em te dizer, mas a energia ruim vinha daí, do teu mundo "Borderline", assim vc se auto diagnosticou não? Tô livre! E a sensação de liberdade não tem preço! Obrigada, obrigada ! Nunca terei palavras pra te agradecer! Essa vida que tô levando agora, mesmo com dificuldades, cara TU NUNCA VAI CONHECER!"

Fernanda Guiterio 







"Amar entre outras coisas 
é unir as mãos e o coração, 
dividir os sonhos e as angustias, 
os erros e os acertos, é andar 
lado a lado,desfazer os nós e criar laços,
é persistir sempre,
pois somos mais fortes
quando estamos juntos".

Tati Zanella




"Se um homem soubesse o poder que seu abraço tem ao acolher uma mulher, a segurança que ela sente, todas as melhores coisas que passam em sua mente, o quanto ela se entrega. Se ele desconfiasse que naquele momento ele a tem inteira, completa, repleta de uma felicidade extrema. Será que ele se manteria ali por mais alguns segundos? Será que a pressa de um abraço seco se tornaria próximo do que uma mulher sente? Será que ele entenderia que essa coisa tão simples, tão gratuita, dentre muitas coisas no mundo é o que gente mais precisa, é o que nos abriga, é o que dá paz ao nosso sono?"

Cáh Morandi









" A beleza da juventude é indiscutível,
mas o charme irresistível da maturidade é inquestionável".

Renata Fagundes


terça-feira, 27 de maio de 2014

Hoje é o meu dia...



"Existe um mito chinês que diz que os Deuses ligam uma linha vermelha a cada pessoa que nasce, a mesma é ligada em todas as pessoas que de alguma forma iremos esbarrar ao longo da vida, a linha pode esticar, se embaralhar, mas jamais irá se romper. Segundo o mito nós estamos destinados desde nosso primeiro momento a encontrar quem encontramos, não importa a circunstância ou importância."

E no decorrer de todos estes anos, sou grata a Deus por todos que cruzaram o meu caminho...ou que de alguma forma, nos esbarramos por aí. A vida segue e sei que todos que estão aqui é por um motivo que talvez hoje eu desconheça, mas que lá na frente fará todo sentido.

Sou grata por tudo. Grata por quem eu me tornei e grata por tudo o que conquistei até aqui. Os sonhos ainda não acabaram e por isso sei que este será só mais um ano de conquistas.

Bem vindo idade nova. Parabéns pra mim.
Que eu possa curtir cada momento com saudade e rodeada de gente que eu amo.




quinta-feira, 15 de maio de 2014

Textos que gostaria de ter escrito





"(...) Quando decido sentar e me por a escrever, rondo as idéias, começo a criar coragem. Me preparo. Tomo fôlego. E se a coragem ainda falta, a simples sensação de botar tudo pra fora me excita. E hoje preciso disso. De forma mais assertiva e prática. É parte daquilo que necessito para recobrir minha paz.

Há um sentido para a vida. Sei disso. Sei também que ele é único e individual. Só não parecia ser tão incerto. E é essa incerteza que quase nos mata. Confuso e caótico, corrói que chega a destruir. Na realidade, desconstrói. Todas as suas certezas caem por terra. Difícil lidar com tudo isso. E se a resposta é “sempre” quando perguntamos “até quando?”, nos conforta saber que, à medida que aprendemos com cada uma de nossas experiências, lidamos mais facilmente com algo sem explicação. O inexplicável pode sempre acontecer e talvez ser capaz de dar novo sentido à vida. É sempre bom ter essa possibilidade em mente.

Resta dizer então que eu o amo. Mais do que um dia imaginei que pudesse amar alguém. E se chega a todos que se arriscam, esse dia chegou para mim. Enfim arrisquei. E isso implica sofrer; que implica aprender, sentir, mudar, crescer, viver, amar. Nada me fora prometido. Abandonei minhas certezas e vícios. E livre, apostei alto. Infinito. Só agora entendo que infinito não é ser eterno. É ser intenso, integral, forte.

Resta acreditar que se o amo, que o deixe ir. Que permaneça em minha memória, em um canto especial do meu coração. Que bom que tenho de quem me lembrar, de quem sentir saudades e a quem agradecer por ter feito parte da minha história e por me ajudar a ser quem hoje sou, este conjunto de retalhos da vida que passou… e que segue, sem saber ao certo onde se está indo, com a certeza de que não se está perdido."

Textos que gostaria de ter escrito
-//-

E assim eu me despeço de ti.




domingo, 11 de maio de 2014






Hoje foi mais um dia daqueles. Silenciosos. Observei cada canto desta casa, agora vazia, porque a exatamente 15 dias você fostes embora. Fiz tudo o que podia, coisas que eu achava que nem sabia fazer. Li livros, assisti a vários filmes, brinquei com os gatos, pintei o cabelo e as unhas de preto. Acho que estou de luto... pelo meu coração. Alguns filmes me lembraram você e por isso, chorei. Reli aquelas cartas; sabe aquelas cartas que me enviou quando completamos nosso primeiro ano de amor? Pois é, elas mesmas. Tempos bons foram aqueles, não é? Não me lembro quando foi a última vez que ri. Aliás, lembro sim. Foi no sábado... retrasado. O dia em que aquela maldita enxaqueca começou. Na quinta já não aguentava mais e resolvi procurar um médico. Sinceramente, acho que ele se assustou. Me diagnosticou como doente de amor crônico. E foi aí que eu percebi: não tem cura. 

Kelly Gomes (flor)







"Corações partidos se curam,
 os protegidos
 acabam se tornando em 
pedra".

 Penelope Stokes



segunda-feira, 14 de abril de 2014




És parecida com a Terra. Essa é a tua beleza.
Era assim que dizias.

E quando nos beijávamos e eu perdia respiração e,
entre suspiros, perguntava: em que dia nasceste?

E me respondias, voz trémula:
estou nascendo agora.

E a tua mão ascendia
por entre o vão das minhas pernas
e eu voltava a perguntar: onde nasceste?

E tu, quase sem voz, respondias:
estou nascendo em ti, meu amor.

Era assim que dizias.

Tu eras um poeta
Eu era a tua poesia.

Mia Couto





sexta-feira, 11 de abril de 2014





"Perdido na própria angústia, entre devaneios e aflições que ninguém pode resolver, talvez nem mesmo quem a sente. Parar, respirar e observar o que se sente pode ser o segredo de conseguir conviver com a própria angústia. A alma sofre pela amargura que a mente produz – e o corpo se dilacera pela falta de energia que vaza pelas entranhas do sentir e míngua o ser.
Pobre de quem a angústia abriga…"
Bia Tannuri


Chao de Giz - Ze Ramalho

♫ ♫ 

Um dia desses a caminho do trabalho, fone no ouvido, tocava Chão de Giz...
Pensamento longe e ao mesmo tempo minha atenção estava na letra da música. 
Chegando ao trabalho comentei sobre a letra com uma amiga que também gosta muito do cantor e da música...até que ela me perguntou se eu sabia que a música era parte da vida do Zé.
Foi assim que descobri, que não somente eu, mas muitos tinham a mesma curiosidade de saber qual o significado da letra.
Já achava linda...agora, acho perfeita.
Então quero compartilhar com vocês:

Explicação dada, em tese, pelo próprio compositor, O GRANDE POETA ZÉ RAMALHO, sobre Chão de Giz:
Ainda jovem, o compositor teve um caso duradouro com uma mulher bem mais velha que ele, casada com uma pessoa bem influente da sociedade de João Pessoa, na Paraíba, onde ele morava. Ambos se conheceram no carnaval. Zé Ramalho ficou perdidamente apaixonado por esta mulher, que jamais abandonaria um casamento para ficar com um “garoto pé -rapado”. Ela apenas “usava-o”. Assim, o caso que tomava proporções enormes foi terminado. Zé Ramalho ficou arrasado por meses, mudou de casa, pois morava perto da mulher e, nesse meio tempo, compôs Chão de giz.
Sabendo deste pequeno resumo da história, fica mais fácil interpretar cada verso da canção. Vamos lá!

“Eu desço desta solidão e espalho coisas sobre um chão de giz”
Um dos seus hábitos, no sofrimento, era espalhar pelo chão todas as coisas que lembravam o caso dos dois. O chão de giz indica como o relacionamento era fugaz.

“Há meros devaneios tolos, a me torturar”
Devaneios e lembranças da mulher que não o amou. O tinha como amante, apenas para realizar suas fantasias. Quando e como queria.

Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúdes”
Outro hábito de Zé Ramalho era recortar e admirar TODAS as fotos dela que saiam nos jornais – lembrem-se, ela era da alta sociedade, sempre estava nas colunas sociais.

“Eu vou te jogar num pano de guardar confetes”
Pano de guardar confetes são balaios ou sacos típicos das costureiras do Nordeste, nos quais elas jogam restos de pano, papel, etc. Aqui, Zé diz que vai jogar as fotos dela nesse tipo de saco e, assim, esquecê-la de vez.

“Disparo balas de canhão, é inútil, pois existe um grão-vizir”
Ele tenta ficar com ela de todas as formas, mas é inútil, pois ela é casada com um homem muito rico.

“Há tantas violetas velhas sem um colibri”
Aqui ele utiliza de uma metáfora. Há tantas violetas velhas (Como ela, bela, mas velha) sem um colibri (um jovem que a admire), dessa forma ele tenta novamente convencê-la apelando para a sorte – mesmo sendo velha (violeta velha), ela pode, se quiser, ter um colibri (jovem).

“Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de vênus”
Este verso mostra a dualidade do sentimento de Zé Ramalho. Ao mesmo tempo que quer usar uma camisa de força para se afastar dela, ele também quer usar uma camisa de vênus para transar com ela.

“Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro”
Novamente ele invoca a fugacidade do amor dela por ele, que o queria apenas para “gozar o tempo de um cigarro”. Percebe-se o tempo todo que ele sente por ela um profundo amor e tesão, enquanto é correspondido apenas com o tesão, com o gozo que dura o tempo de se fumar um cigarro.

“Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom”
Para quê beijá-la, se ela quer apenas o sexo?

“Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez…”
Novamente ele resolve ir embora, após constatar que é impossível tentar algo sério com ela. Entretanto, apaixonado como está, vai novamente à lona – expressão que significa ir a nocaute no boxe, mas também significa a lona do caminhão, com o qual ele foi embora – ele teve que sair de casa para se livrar desse amor doentio.

“Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar”
Amor inesquecível, que acorrenta. Ela pisava nele e ele cada vez mais apaixonado. Tinha esperanças de um dia ser correspondido.

“Meus vinte anos de ‘boy’ – that’s over, baby! Freud explica”
Ele era bem mais novo que ela. Ele era um boy, ela era uma dama da sociedade. Freud explica um amor desse (Complexo de Édipo, talvez?).

“Não vou me sujar fumando apenas um cigarro”
Depois de muito sofrimento e consciente que ela nunca largaria o marido/status para ficar com ele, ele decide esquecê-la. Essa parte ele diz que não vai se sujar transando mais uma vez com ela, pois agora tem consciência de que nunca passará disso.

“Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval”
Eles se conheceram em um carnaval. Voltando a falar das fotos dela, que iria jogar em um pano de guardar confetes, ele consolida o fim, dizendo que já passou seu carnaval (fantasia), passou o momento.

“E isso explica porque o sexo é assunto popular”
Aqui ele faz um arremate do que parece ter sido apenas o que restou do amor dele por ela (ou dela por ele): sexo. Por isso o sexo é tão popular, pois apenas ele é valorizado. Ela só queria sexo e nada mais.

“No mais, estou indo embora”
Assim encerra-se a canção. É a despedida de Zé Ramalho, mostrando que a fuga é o melhor caminho e uma decisão madura. Ele muda de cidade e nunca mais a vê. Sofreu por meses, enquanto compôs a música.