"No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração. "

Rabindranath Tagore








Mostrando postagens com marcador Eugénio de Andrade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eugénio de Andrade. Mostrar todas as postagens

domingo, 27 de janeiro de 2013






"Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas."



Eugénio de Andrade in Poesia e Prosa


sábado, 1 de setembro de 2012





"Entre os teus lábios 
é que a loucura acode
desde à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos 
é que a fonte começa 
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia  queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre  lábios  e lábios
toda a música é minha."



 Eugénio de Andrade 






Lembra?rs