"No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração. "

Rabindranath Tagore








terça-feira, 28 de fevereiro de 2012



Acássia não compreende, eu me mataria por ela, de uma forma ou de outra, eu iria por ela. Mas ela não entende que seus dedos frágeis não suportam segurar o pincel que antes usava para maquiar suas telas, hoje, utiliza para esconder os caminhos das suas lágrimas. Acássia não sabe mais dançar como antes. Ela perdeu sua alma em algum esconderijo, aprisionou em um baú de pirata, lançou ao mar e olvidou o mapa nas entrelinhas da sua epiderme. Acássia é uma suicida, e ainda não sabe.
Aquele seu sorriso zombeteiro rasga todas as minhas boas intenções, porque Acássia é uma suicida, e gosta disso. Eu compensaria cada lágrima chorada, cada dor sentida com meus ventos favoráveis ao amor, mas ela não se permite seguir os passos da minha trilha. Ela não caminha mais pela mesma estrada de outrora tempestades. Acássia não ouve mais as antigas melodias que embalavam seu sono, ela agora só sabe recitar poemas rasgados, incompletos, feito às pressas por um vadio moribundo que declamava versos inconstantes na esquina da sua primaveril cidade.
Mas ela prefere o outono.
Eu queria compor alguma canção que falasse da vida, mesmo que para isso a morte venha com antecedência, seque todas as nossas peônias, e impossibilite que as tulipas floresçam. Mas Acássia ainda gira, sozinha, com os braços abertos, esperando escorregar em alguma seda virgem. Ela não compreende que sua voz ressoa como terremoto em mim, criando rachaduras profundas, separando minhas placas tectônicas.
Acássia só pensa em girar o mundo, mas não com ele.
Acássia queria flores em seu jardim interno, porém anda cega demais, e não encontra as sementes corretas. Por isso ela se joga em qualquer abismo, para sentir na queda, a euforia que falta na vida. “Morrer me revive”, sussurra mordendo o canto da boca. Tola menina, se soubesse que a morte por amor não tem volta, não brincaria com essas coisas de gente grande. Mas Acássia é suicida, dessas que não se descreve com facilidade. Ela conhece o firmamento entre as estrelas e o espaço, e reescreve os mandamentos bíblicos com a ponta dos seus dedos gastos. Se ela entendesse, jamais ousaria me contar os seus segredos de menina. Oxalá, um dia, quem sabe, ela entenderá.
Acássia tem medo da chuva, mas não de se molhar, por isso toma banho de lágrimas, porque acredita que água melhor em seu rio não há. Acássia ainda não sabe nada, mas deveria ter aprendido com as ondas da paixão que beijaram sua praia. Ela jamais entenderá que estamos morrendo do mesmo câncer, mas ela não quer enxergar. Acássia se matará após o crepúsculo do amor, quando ousar minha boca beijar. Ela não sabe mais dançar, mas ainda gira, feito criança em ciranda, despreocupada se um tombo levar. Ela gira, eu suspiro. Acássia é uma suicida. Só que hoje ela não morrerá pelas suas próprias mãos, padecerá em meus lábios e dos nossos beijos, se afogará no último respirar. Acássia, hoje à noite, se casará.


2 comentários:

Delano Alexandria disse...

Não gostei desse texto, não mesmo!

DRI BONATI (No Doce Lar) disse...

Kelly vim aqui agradecer a vista e dizer que seu blog é show,adorei as imagens tudo escolhido a dedo!Parabéns ,uma linda noite pra vc!